18/05/2012 - As eleições parlamentares na Grécia ocorridas no último dia 6 de maio tiveram como resultado uma distribuição de cadeiras no parlamento que não permitiu a formação de um governo com a maioria do parlamento. São 300 cadeiras no parlamento grego, sendo necessário o apoio de 151 deputados para indicar um primeiro-ministro. Assim, haverá novas eleições no país a serem disputadas no próximo dia 17 de junho. A Grécia se encontra numa situação muito difícil do ponto de vista financeiro-econômico, mas apesar de tudo, encaminha-se para que, no aspecto político, o país se reorganize através deste processo eleitoral em duas votações. Vejamos os resultados por partido da eleição do dia 6 de maio, lembrando que o partido vencedor recebe 50 assentos a mais pelo fato de ter ficado em primeiro:
Nova Democracia (ND): 18,85% dos votos e 108 assentos
Coligação da Esquerda Radical (Syriza): 16,78% dos votos e 52 assentos
Movimento Socialista Pan-Helênico (PASOK): 13,18% dos votos e 41 assentos
Gregos Independentes (ANEL): 10,6% dos votos e 33 assentos
Partido Comunista Grego (KKE): 8,48% dos votos e 26 assentos
Aurora Dourada (XA): 6,97% dos votos e 21 assentos
Esquerda Democrática (DIMAR): 6,11% dos votos e 19 assentos
A cláusula de barreira para se entrar no parlamento é de 3%. Pelos resultados dessa eleição, vemos que nenhum partido sequer chegou aos 19% dos votos, o que dificultou muito que qualquer um deles tivesse legitimidade popular suficiente para receber os 50 deputados extras e indicar o primeiro-ministro, mas isso não impediria que tivesse sido formado um governo se o Nova Democracia, de direita, e o PASOK, de centro, tivessem conseguido, somados, 151 deputados. Juntos, conseguiram 149 cadeiras, e por isso tentaram negociar com o DIMAR a formação de um governo, mas este último condicionou a formação de um governo à participação do Syriza, que não aceitou participar com a atual configuração parlamentar, até porque nessa configuração, por haver ficado somente 2% acima do Syriza, o Nova Democracia teria 50 deputados a mais e o cargo de primeiro-ministro.
É preciso deixar o mais claro possível qual é a situação político-econômico-financeira da Grécia. O país entrou há alguns anos em uma crise de dívida soberana semelhante à que entraram outros países da União Europeia (UE), como Irlanda e Portugal. Apesar disso, alguns fatores se conjugaram para que, diferentemente de Irlanda e Portugal, a Grécia tivesse mais dificuldades de construir um horizonte de médio prazo para a saída da crise. Estes fatores são principalmente dois, que se relacionam: a severidade com que a crise atingiu o país e o fato da Grécia estar passando por uma reestruturação da representatividade de seus partidos políticos.
De fato, o PASOK mostrou, quando não apoiou suficientemente o ex-primeiro-ministro do partido, Yorgos Papandréu, no final do ano passado, quando este propôs um referendo sobre o acordo com os credores internacionais, que não está suficientemente à esquerda para liderar o país neste momento. Assim, é essencial, para que a Grécia supere a crise, a emergência de um novo partido para liderar a esquerda. Nesse sentido, o Syriza poderia cumprir esse papel, mas terá (e é o que tem acontecido desde a eleição do dia 6 de maio), que diminuir ao máximo possível sua inclinação à extrema-esquerda, para, como partido de esquerda, conseguir aglutinar a sociedade grega para tomar as difíceis e necessárias decisões para poder permanecer na zona do euro e na União Europeia (que com a vitória da esquerda na França neste mês perdeu um pouco de seu direitismo atual). Assim, as eleições do dia 17 de junho podem, de verdade, ser o início do fim da crise, porque a solução, por mais que se tente negar, é (e quase sempre é) essencialmente política. Clique aqui para ver o vídeo da notícia.
13/05/2012 - A esquerda venceu as eleições presidenciais na França, cujo segundo turno foi disputado no último dia 6 de maio. François Hollande, do Partido Socialista (PS), foi eleito com 51,64% dos votos, contra 48,36% de Nicolas Sarkozy, da União por um Movimento Popular (UMP), o principal partido da direita francesa. Com esse resultado, a esquerda ganha um grande impulso para conseguir, nas eleições parlamentares do mês que vem, uma maioria parlamentar que resulte na escolha de um primeiro-ministro de esquerda.
Neste segundo turno, formou-se uma ampla aliança em apoio à candidatura de Hollande, já que tanto o candidato da extrema-esquerda no primeiro turno, Jean-Luc Mélenchon, quanto o candidato do centro no primeiro turno, François Bayrou, apoiaram publicamente Hollande no segundo turno. Assim, essa aliança entre esquerda, extrema-esquerda e centro acabou formando uma "grande esquerda" que superou eleitoralmente a direita e a extrema-direita do país. Apesar disso, é preciso notar que a candidata da extrema-direita no primeiro-turno, Marine Le Pen, não apoiou publicamente Sarkozy no segundo turno, o que mostra que não se formou uma "grande direita", unindo direita e extrema-direita.
Assim, parece estar ficando claro qual é a estratégia político-eleitoral que daria mais chances à esquerda europeia de vencer as eleições nos países da região e conquistar a hegemonia política na Europa. Trata-se exatamente de implementar em nível europeu o que aconteceu na França, ou seja, uma aliança inequívoca da esquerda, da extrema-esquerda e do centro, formando uma "grande esquerda", deixando a direita e a extrema-direita em minoria. As eleições na Alemanha e na Itália no ano que vem serão uma grande oportunidade para que a esquerda desses países consiga seguir o exemplo da esquerda da França, formar uma "grande esquerda", vencer as eleições e mudar consideravelmente a correlação de forças na União Europeia conquistando inequivocamente uma hegemonia de esquerda na região.
Se efetivamente se confirmar a eleição de um primeiro-ministro de esquerda na França, após as eleições parlamentares do mês que vem, François Hollande, como principal líder político do país, terá o grande desafio de manter durante o governo essa aliança que se formou em torno dele no segundo turno da eleição. Assim, implementando o que é essencial para a parte esquerda da "grande esquerda" (a extrema-esquerda) que o elegeu, Hollande pretende reformar o sistema tributário do país no sentido de aumentar a proporção dos impostos pagos pelos ricos no total arrecadado. Outra reforma importante nesse sentido planejada pelo novo presidente é a reforma do sistema bancário, aumentando a regulação estatal de modo a diminuir a instabilidade do sistema financeiro.
Por outro lado, implementando o que é essencial para a parte direita da "grande esquerda" (o centro) que o elegeu, tudo indica que Hollande vai manter uma relação coordenada com os governos de direita da União Europeia, especialmente o da Alemanha. Esse binômio estratégico para a esquerda, ou seja, impulsionar a reforma das estruturas financeiras (essencial para a extrema-esquerda) mas sem perder a coordenação a nível europeu mesmo com governos de direita (essencial para o centro), parece ser fundamental para que a União Europeia se recupere da crise econômica atual. Para isso, a solução é político-eleitoral. A esquerda da França deu um grande passo nesse sentido. Cabe agora à esquerda dos outros países europeus mostrar que pode fazê-lo também. Clique aqui para ver o vídeo da notícia.
04/05/2012 - As eleições parlamentares na Coreia do Sul, realizadas no último dia 11 de abril, tiveram como resultado uma maioria parlamentar relativamente apertada da direita. Somados, os partidos de direita obtiveram 157 dos 300 assentos do parlamento unicameral - 152 assentos para o Partido da Nova Fronteira (NFP) e 5 para o Partido do Avanço da Liberdade (LFP). Por sua vez, os partidos de esquerda conquistaram 140 assentos - 127 para o Partido Democrático Unido (DUP) e 13 para o Partido Progressista Unificado (UPP). Também foram eleitos 3 candidatos independentes.
Quanto às porcentagens na votação por partido, vemos que os partidos de direita receberam, somados, 46,7%, enquanto que os partidos de esquerda receberam 48,3%. Os 5% restantes foram para partidos que não conseguiram assentos no parlamento. Assim, apesar de ter conseguido mais votos por partido, a esquerda teve menos parlamentares eleitos por causa do sistema eleitoral do país, onde 246 cadeiras são eleitas por voto distrital uninominal e 54 cadeiras são eleitas por voto proporcional. Em relação às últimas eleições parlamentares, em 2008, foi significativa a redução de 25 para 3 do número de candidatos independentes eleitos.
A Coreia do Sul tem um sistema presidencialista, mas o parlamento do país tem considerável poder, podendo dificultar significativamente o mandato do presidente se houver grandes diferenças políticas entre este e a maioria do parlamento. As eleições presidenciais estão marcadas para 19 de dezembro deste ano. Neste sentido, essas eleições parlamentares determinaram que a direita terá maioria no parlamento mesmo que a esquerda vença as eleições presidenciais de dezembro. O mandato presidencial é de 5 anos, enquanto que o parlamentar é de 4 anos.
Quanto à dinâmica do espectro político do país, vemos que apesar da direita ainda ter conseguido reter a maioria do parlamento, essas eleições do dia 11 de abril representaram um movimento considerável na direção da esquerda. Isso porque nas eleições parlamentares de 2008, os partidos de direita haviam somado 185 assentos (contra 157 em 2012), e os partidos de esquerda haviam somado 89 (contra 140 de agora), com a eleição de 25 candidatos independentes. Assim, vemos que em 2012 a esquerda equilibrou a disputa e se colocou com chances reais de conquistar a presidência do país em 19 de dezembro deste ano.
Pelo sistema eleitoral da Coreia do Sul, quanto maior for a divisão interna da direita ou da esquerda, maior sua chance de derrota. Assim, a atual divisão da esquerda em dois partidos de votação total significativa (DUP com 36,5% e UPP com 10,3%) explica em parte a minoria no parlamento alcançada pela esquerda nessas eleições parlamentares. Nas eleições presidenciais, pela ausência de segundo turno, o incentivo a que a esquerda ou a direita não se dividam é ainda maior. Por isso, é provável que o DUP e o UPP tenham um candidato unificado em dezembro.
Nessas eleições parlamentares, de fato o DUP e o UPP tentaram coordenar suas candidaturas, mas essa coordenação não foi suficiente para que conseguissem uma maioria parlamentar. Outra questão relevante é que, na esquerda, pode estar havendo um movimento de substituição do partido dominante, processo característico dos sistemas eleitorais de tendência bipolar, determinados principalmente pela ausência de segundo turno nas disputas majoritárias. Assim, se o UPP continuar crescendo eleitoralmente pode vir a substituir o DUP como partido líder da esquerda, o que lhe daria a candidatura presidencial da esquerda em futuras eleições. Se isso acontecesse, a política da Coreia do Sul passaria por mudanças estruturais rumo a um posicionamento consideravelmente mais à esquerda que o que é possível com o atual domínio da esquerda pelo DUP.
A Coreia do Sul faz parte do G-20, grupo que reúne os países mais influentes do mundo, o que mostra que sua dinâmica eleitoral deve ser considerada especificamente quanto ao jogo de forças global. No panorama do nordeste asiático, o posicionamento no espectro político do Estado sul-coreano é importante especialmente para as relações com a Coreia do Norte e a China, no sentido de que um governo mais à esquerda na Coreia do Sul diminuiria a tensão na relação entre as duas Coreias ao mesmo tempo em que mostraria mais claramente à população da China e da Coreia do Norte a eficiência política do sistema eleitoral democrático quanto a sua capacidade de permitir o acesso das forças políticas de esquerda ao poder. Clique aqui para ver o vídeo da notícia.
26/04/2012 - O resultado do primeiro turno da eleição presidencial francesa, disputado no domingo passado, dia 22 de abril de 2012, levou ao segundo turno o candidato do Partido Socialista (PS), François Hollande, e o atual presidente do país, Nicolas Sarkozy, da União por um Movimento Popular (UMP). Hollande, de esquerda, teve 28,63% dos votos, enquanto que Sarkozy, de direita, teve 27,18%. O segundo turno será disputado no próximo dia 6 de maio. As pesquisas de opinião sobre o segundo turno indicam uma vitória de Hollande com uma vantagem confortável. Vejamos como foi o desempenho geral dos candidatos no primeiro turno.
François Hollande (Partido Socialista - PS): 28,63%
Nicolas Sarkozy (União por um Movimento Popular - UMP): 27,18%
Marine Le Pen (Frente Nacional - FN): 17,9%
Jean-Luc Mélenchon (Frente de Esquerda): 11,1%
François Bayrou (Movimento Democrata - MoDem): 9,13%
Outros: 6,06%
As pesquisas de boca-de-urna, divulgadas antes da apuração dos votos, indicaram um resultado de 20% para Le Pen, acima dos 17,9% verificados posteriormente. Essa superestimação inicial da votação da candidata de extrema-direita, somada a uma já existente sensibilidade no ambiente político a votações relativamente altas das candidaturas extremas (de extrema-direita e de extrema-esquerda), fez com que a candidatura do atual presidente Sarkozy adotasse nos dias seguintes ao primeiro turno uma postura de notória aproximação às propostas da extrema-direita, o que diminuiu consideravelmente as chances de vitória de sua candidatura, pois dificultou muito o apoio a ele dos eleitores de centro. Sarkozy acabou optando por esse caminho, em parte, também porque Le Pen não manifestou apoio público à candidatura do atual presidente no segundo turno.
Por outro lado, como o candidato de extrema-esquerda, Jean-Luc Mélenchon, após o primeiro turno manifestou rapidamente apoio público a Hollande no segundo turno, este último não precisou se mover politicamente rumo à extrema-esquerda, como fez Sarkozy rumo à extrema-direita. Assim, Hollande tem nesse segundo turno mais condições de receber o apoio dos eleitores de centro que Sarkozy. Quando se compara a porcentagem de votos obtida por Le Pen com a porcentagem de votos obtida pelos outros candidatos somados (exceto os que disputam o segundo turno), vemos que ela teve 17,9% contra 26,29% dos outros candidatos. Assim, pode-se verificar que a estratégia da direita de conquistar os votos da candidata da FN (17,9%) pode não estar valendo a pena, uma vez que afasta, em geral, os votos dos eleitores dos outros candidatos (26,29%).
Assim, esta eleição na França, se de fato mostrar a formação de uma união entre o centro, a esquerda e a extrema-esquerda, pode representar a reação ao fortalecimento da extrema-direita na Europa que se verificou nos últimos anos, fazendo a população dos países da região rejeitar governos da direita, que, como mostra a campanha de Sarkozy, é mais próxima da extrema-direita que as outras forças do espectro político. Cabe a este eventual novo movimento de formação de uma "grande centro-esquerda", com a aproximação do centro, da esquerda e da extrema-esquerda, mostrar que tem condições de recuperar a economia da Europa.
Neste segundo turno francês, a aproximação da direita da extrema-direita se deu especialmente através da ênfase do candidato Sarkozy na questão da importância das fronteiras nacionais francesas. Ao se centrar nessa questão, Sarkozy deixou para Hollande o tema da solução da crise econômica, e com isso deu oportunidade ao candidato da esquerda de aprofundar o debate sobre suas propostas sobre esse assunto, como por exemplo, uma rediscussão da distribuição dos impostos e dos gastos estatais entre pobres, classe média e ricos. Ao mesmo tempo, a simultaneidade dos dois movimentos (ênfase da direita nas fronteiras nacionais e ênfase da esquerda na redistribuição dos gastos e da arrecadação do Estado) parece mostrar o que poderia ser um importante componente das políticas da esquerda no enfrentamento da crise econômica europeia, no sentido de rediscutir em âmbito europeu a distribuição dos gastos e da arrecadação estatal entre pobres, classe média e ricos. Clique aqui para ver o vídeo da notícia.
20/04/2012 - Neste domingo, depois de amanhã, dia 22 de abril de 2012, ocorrerá o primeiro turno das eleições presidenciais na França. O segundo turno está marcado para o próximo dia 6 de maio. No dia 10 de junho deste ano, ou seja, um mês depois da definição do novo presidente, será disputada a eleição parlamentar, que no sistema político francês também tem influência na composição do Poder Executivo, já que este é dividido entre o presidente e o primeiro-ministro, escolhido pelo parlamento. Apesar dessa divisão do Poder Executivo, pelo fato da eleição presidencial ser realizada imediatamente antes da parlamentar, a escolha do presidente acaba sendo praticamente decisiva quanto a se o primeiro-ministro será indicado por uma coalizão que focará a esquerda ou a direita do espectro político.
Assim, pode-se dizer que as eleições presidenciais são as principais eleições francesas. O presidente tem um mandato de 5 anos. Nesta eleição presidencial, o mais provável é a eleição de um presidente de esquerda, terminando um longo período de 17 anos de presidência de direita. Da mesma forma, se de fato a eleição presidencial se refletir na parlamentar, com a escolha de um primeiro-ministro de esquerda, também terminará um período de 10 anos seguidos em que a direita ocupou o cargo de primeiro-ministro. Na esquerda, o candidato presidencial favorito é François Hollande, do Partido Socialista (PS), cujo principal adversário é o atual presidente de direita do país, Nicolas Sarkozy, da União por um Movimento Popular (UMP).
As pesquisas de opinião indicam um empate técnico entre Hollande e Sarkozy na primeira colocação no primeiro turno, e uma diferença relativamente grande a favor de Hollande em um eventual segundo turno entre estes dois candidatos. No primeiro turno, outros três candidatos podem chegar a ter mais de 10%: Marine Le Pen, da Frente Nacional (FN), de extrema-direita, Jean-Luc Mélenchon, da Frente de Esquerda, de extrema-esquerda, e François Bayrou, do Movimento Democrata (MoDem), de centro. Assim, como os candidatos de extrema-esquerda e de extrema-direita são relativamente fortes, o desempenho deles no primeiro turno será fundamental para a questão de se, no segundo turno, a vitória penderá para a esquerda ou para a direita. Nesse sentido, a relação da candidatura de esquerda (Hollande) com a de extrema-esquerda (Mélenchon), e a relação da candidatura de direita (Sarkozy) com a de extrema-direita (Le Pen) serão também um fator decisivo no segundo turno.
A eleição presidencial na França ocorre em um ambiente em que a Europa passa por uma grave crise econômica. Após o fim de 2008, quando eclodiu a crise econômica mundial focada nos países mais desenvolvidos, a Europa não conseguiu organizar uma recuperação econômica, como fizeram, por exemplo, os EUA, especialmente pelo seguinte: a Europa, e mesmo a União Europeia (UE), não têm instrumentos políticos integradores suficientemente fortes para ações conjuntas dos países no combate à crise. Essa deficiência política poderia ser minimizada se houvesse uma considerável maioria de governos de esquerda na União Europeia, com maior tendência à integração e colaboração internacional, mas o fato é que hoje em dia a direita tem a grande maioria da força política na União Europeia.
Por isso, uma eventual vitória da esquerda nas eleições presidenciais francesas seria um passo fundamental para a mudança política na União Europeia, de uma maioria de direita para uma maioria de esquerda, o que é essencial para a recuperação econômica da região através de uma política econômica especialmente atuante do Estado como ocorreu nos EUA e na América Latina, regiões que reagiram mais rapidamente que a Europa à crise econômica que eclodiu no fim de 2008 principalmente por terem governos marcadamente de esquerda. Claro que a eleição francesa sozinha não poderá realizar essa mudança política, mas será fundamental em relação ao ambiente político nas próximas eleições na União Europeia, especialmente as da Alemanha e da Itália, previstas para o ano que vem. Clique aqui para ver o vídeo da notícia.
13/04/2012 - As eleições presidenciais em dois turnos realizadas em fevereiro e março deste ano no Senegal fortaleceram consideravelmente o processo de construção da democracia em uma região onde é grande o risco das democracias serem interrompidas por golpes de Estado. O primeiro turno foi realizado em 26 de fevereiro, com a participação de 14 candidatos. O segundo turno ocorreu em 25 de março, e o presidente eleito, que já tomou posse no dia 2 de abril, foi Macky Sall, da APR (Aliança pela República), que teve 65,8% dos votos, vencendo o atual presidente, Abdoulaye Wade, do PDS (Partido Democrático Senegalês), que teve 34,2%.
O ex-presidente Wade estava no cargo desde 2000, tendo sido reeleito em 2007. Assim, nessas eleições de 2012, ele estava concorrendo a um terceiro mandato, o que só foi possível por uma controvertida decisão judicial. No primeiro turno, Wade teve 35%, enquanto que Sall teve 26,5%, Moustapha Niasse (Aliança de Forças Progressistas) teve 13,2%, Ousmane Tanor Dieng (Partido Socialista) teve 11,3%, e os outros 8 candidatos dividiram o restante dos votos. Um fato que ajudou muito que Sall vencesse a eleição foi que no segundo turno todos os outros 12 candidatos do primeiro turno o apoiaram na disputa com o presidente Wade.
O presidente Sall assume tendo que enfrentar uma série de problemas de solução urgente, como o alto preço dos alimentos e combustíveis, o alto desemprego e a extensa greve de professores que já dura meses. Pela forma como ocorreu a campanha do segundo turno e pelos primeiros movimentos do novo presidente, tudo indica que Sall vai formar um governo que inclua o amplo arco de alianças que se formou no segundo turno, inclusive levando em conta o apoio dos outros 12 presidenciáveis do primeiro turno. Quanto ao parlamento, atualmente dominado pelo PDS, de Wade, estão previstas eleições nos próximos meses. A vitória nessas eleições parlamentares da aliança política do novo presidente seria essencial para consolidar a estabilidade política do governo.
O novo presidente foi primeiro-ministro da presidência de Wade de 2004 a 2007. Depois disso, quando ainda era membro do PDS, tornou-se presidente do parlamento, com um mandato de 5 anos. Por desentendimentos com o presidente Wade, no final de 2008 acabou perdendo seu cargo de presidente do parlamento, saindo do PDS e fundando a APR. Uma das prioridades de Sall na presidência é reduzir o mandato presidencial de 7 para 5 anos, com um limite máximo de dois mandatos. Essas eleições tiveram observação internacional da UA (União Africana) e da ECOWAS (Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental). As duas entidades elogiaram largamente essa eleição no Senegal, considerando-a suficientemente livre, justa e transparente, apontando-a como um modelo para os outros países africanos.
O Senegal teve colonização francesa até 1960, quando se tornou formalmente independente. O país se localiza no noroeste africano, tendo uma área de cerca de 200 mil km², uma população de 14 milhões de pessoas e um PIB de aproximadamente US$ 20 bilhões. No vizinho Mali ocorreu há cerca de um mês um golpe de Estado, o que fez com que não ocorressem as eleições presidenciais marcadas para 19 de abril deste ano. Isso ilustra a importância dessas eleições senegalesas, no sentido de mostrar e construir a viabilidade de processos eleitorais minimamente democráticos na região. Nesse sentido, os elogios ao processo eleitoral senegalês vieram não somente das entidades africanas, como a UA e a ECOWAS, mas também de potências mundiais, como os EUA, cujo governo do presidente Barack Obama enviou representantes de nível consideravelmente alto à posse do presidente Sall.
O ex-presidente Wade reconheceu a derrota logo após a divulgação dos resultados do segundo turno, o que foi muito importante para a consolidação da democracia no país. Outro fator a ser destacado nessa eleição é a demonstração do papel fundamental dos processos eleitorais para possibilitar que a insatisfação popular com um governo possa ser canalizada para a formação de outro governo sem que haja grandes confrontos físicos. Nessas eleições também houve uma rápida divulgação dos resultados da apuração dos votos, inclusive pela Internet, o que ajudou na consolidação da percepção de legitimidade do processo eleitoral. Clique aqui para ver o vídeo da notícia.
03/04/2012 - Mais um país do sudeste asiático, Myanmar, está em franco processo de democratização, no qual se inserem as eleições parlamentares parciais realizadas no último domingo, dia 1º de abril de 2012. Foram disputados somente cerca de 10% dos 440 assentos do parlamento bicameral, para preencher as vagas que estão abertas desde as eleições parlamentares realizadas em novembro de 2010. Apesar do pouco alcance quanto ao número de vagas em disputa, estas são as primeiras eleições com regras minimamente democráticas em várias décadas. O resultado foi uma vitória arrasadora da LND (Liga Nacional pela Democracia), que ganhou praticamente todas as vagas em disputa. Na votação de domingo, foi eleita para o parlamento a líder da LND, Aung San Suu Kyi, que esteve a maior parte dos últimos 22 anos em prisão domiciliar.
Myanmar, país de cerca de 60 milhões de habitantes, 680 mil km² de área e US$ 81 bilhões de PIB, faz fronteira principalmente com a Índia ao leste, a China ao norte e a Tailândia ao sudeste. De 1886 até 1948 foi colonizado pelo Reino Unido, que derrotou a monarquia anterior do país. De 1948 a 1962, o país teve diversas eleições em uma tentativa de implementação de um regime democrático, mas a partir de 1962 foi governado por um regime militar. Em 1990, foram realizadas eleições democráticas, e a LND, já liderada por Suu Kyi, conquistou 392 dos 489 assentos do parlamento na época, mas o regime militar não reconheceu o resultado das eleições e se manteve no poder. Em 1991, Suu Kyi recebeu o Prêmio Nobel da Paz.
Em novembro de 2010 o governo militar organizou eleições para, a princípio, passar o poder para mãos civis. Essas eleições, com Suu Kyi estando em prisão domiciliar, foram boicotadas pela LND, e assim, o USDP (Partido da União da Solidariedade e do Desenvolvimento), ligado ao governo militar, formou um governo principalmente com ex-militares que se tornaram civis, iniciando um processo de reformas políticas e econômicas que desembocaram nestas eleições parlamentares parciais democráticas. O atual presidente do país é Thein Sein, do USDP. Desde o não-reconhecimento do governo militar das eleições de 1990, EUA e União Europeia aplicam sanções econômicas ao país. Com essas eleições do último domingo, tudo indica que essas sanções poderão ser consideravelmente diminuídas.
Neste domingo, a observação eleitoral foi principalmente da ASEAN (Associação das Nações do Sudeste Asiático), que elogiou a qualidade das eleições. Participaram 17 partidos. Como só uma pequena parte do parlamento foi renovada no domingo, o USDP vai continuar tendo uma enorme maioria no parlamento. Apesar disso, pela vitória da LND ter sido arrasadora, e pela postura negociadora tanto do presidente Thein Sein como de Suu Kyi, é muito provável que a democratização continue com a realização de eleições democráticas gerais no país nos próximos anos.
Ao observar-se o mapa-múndi, e especificamente a região próxima a Myanmar, vê-se que no sudeste asiático está ocorrendo um processo consistente e relativamente rápido de democratização. Em julho do ano passado houve eleições que marcaram a redemocratização da Tailândia, país vizinho a Myanmar, e outros países da região vêm passando por intensas reformas democráticas. No contexto da política global, especialmente no que se refere à China, a democratização de seus países vizinhos seguramente terá influência no processo político chinês, cuja dinâmica será cada vez mais importante para a política mundial. Clique aqui para ver o vídeo da notícia.
28/03/2012 - As eleições parlamentares realizadas no último dia 11 de março em El Salvador mostraram uma queda no número de deputados da FMLN (Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional), o principal partido do governo e da esquerda do país. A FMLN conseguiu 31 deputados, ante 35 das últimas eleições, disputadas em 2009. O parlamento, que é unicameral, tem 84 assentos. O principal partido da direita do país, a Arena (Aliança Republicana Nacionalista), conseguiu 33 parlamentares. O país é presidencialista, e o atual presidente é Mauricio Funes, da FMLN. Funes foi eleito em março de 2009, e seu mandato tem 5 anos de duração. Já o mandato dos parlamentares eleitos no dia 11 é de somente 3 anos, tempo relativamente curto em termos internacionais para mandatos parlamentares.
Antes da vitória da FMLN nas eleições presidenciais de 2009, a Arena governou o país por 20 anos seguidos. Com esse resultado nas eleições parlamentares do dia 11, a Arena ganha força política para as eleições presidenciais de 2014. Além da FMLN e da Arena, outros 5 partidos conseguiram representação no parlamento, que conta após essa eleição com uma maioria dos partidos da direita de El Salvador. Como para aprovar empréstimos, tratados internacionais e mudanças constitucionais é necessária uma maioria de 2/3, o governo de Funes terá que aprofundar as alianças no parlamento, agora que este se inclinou um pouco mais à direita.
El Salvador se localiza na América Central, tendo 21 mil km² de área, 6,2 milhões de habitantes e US$ 43 bilhões de PIB. Houve uma grande presença nessa eleição de observadores nacionais e internacionais, inclusive da OEA (Organização dos Estados Americanos). Em geral, a eleição foi bem avaliada pelos observadores, o que é uma vitória importantíssima para esse país que foi palco de uma guerra civil nos anos 80 e início dos 90 do século passado. Nas eleições do dia 11, o comparecimento da população foi de 48,6%, um pouco abaixo das últimas eleições parlamentares (que coincidiram com as presidenciais) em 2009, quando o comparecimento foi de 53,9%.
Esta foi a primeira eleição parlamentar com um sistema de lista fechada e desbloqueada, ou seja, em que os eleitores puderam escolher em qual deputado de determinado partido queriam votar. Até esta eleição, as listas eram bloqueadas. Com esse movimento à direita do parlamento de El Salvador, o governo de esquerda de Funes terá mais dificuldades em termos de governabilidade, e a questão que se apresenta é até que ponto essa dificuldade de governabilidade pode afetar as chances da FMLN e da esquerda do país conseguirem eleger o sucessor de Funes em 2014.
A política de El Salvador, no contexto da política da América Central, tem influência na correlação de forças do espectro político numa região especialmente polarizada na América Latina, mais polarizada, no caso, que a América do Sul. Em meio a essa polarização, o governo da FMLN é de uma esquerda moderada, o que é muito importante para a progressiva diminuição dos extremismos políticos na região. El Salvador também faz parte da OEA, órgão em disputa desde que a esquerda começou a vencer muitas eleições nacionais desde o fim dos anos 90 do século passado, e entidade com atuação importante na manutenção da democracia no continente especialmente por causa de suas missões de observação eleitoral. Clique aqui para ver o vídeo da notícia.
19/03/2012 - A esquerda venceu as eleições parlamentares da Eslováquia, realizadas no dia 10 de março deste ano. Como o país é parlamentarista, estas eleições definiram também o governo. O novo primeiro-ministro é o líder do Partido Social-Democrata (Smer), Robert Fico. Nas eleições parlamentares de 2010, a primeira-ministra eleita foi Iveta Radicova, do Partido Eslovacos Democráticos e União Cristã (SDKU-DS), mas seu governo, formado por uma coalizão de partidos de direita, caiu em outubro de 2011, entre outros motivos, pela percepção popular de corrupção no governo e por ter apoiado o acordo do Fundo de Estabilidade Financeira Europeia. Vejamos os resultados de cada partido quanto às 150 vagas no parlamento.
Smer (Partido Social-Democrata): 83 assentos e 44,4% dos votos
KDH (Movimento Democrata-Cristão): 16 assentos e 8,82% dos votos
OL'aNO (Pessoas Comuns e Personalidades Independentes): 16 assentos e 8,55% dos votos
Most-Híd: 13 assentos e 6,89% dos votos
SDKU-DS (Eslovacos Democráticos e União Cristã): 11 assentos e 6,09% dos votos
SaS (Liberdade e Solidariedade): 11 assentos e 5,88% dos votos
A cláusula de barreira para um partido entrar no parlamento é de 5%. Assim, dos 26 partidos inscritos para as eleições, somente 6 entraram no parlamento. Destes, somente o Smer encontra-se no espectro político da esquerda, sendo os outros 5 de direita. O novo primeiro-ministro Robert Fico ofereceu a esses partidos a opção de fazer parte do governo, mas nenhum deles aceitou. Essa é a primeira vez desde que a Eslováquia se separou da República Tcheca, em 1993, que um partido conseguiu o número de parlamentares suficiente para indicar sozinho o primeiro-ministro. O mandato parlamentar é de 4 anos.
A Eslováquia se localiza na Europa Central, tem uma população de cerca de 5,5 milhões de pessoas, uma área de 49 mil km² e um PIB de aproximadamente US$ 120 bilhões. O país faz parte da União Europeia (UE) e da Zona do Euro, o que faz com que essa eleição tenha relevância no contexto das decisões tomadas pela UE e pela Zona do Euro para enfrentar a crise econômica pela qual passa a região. Nesse sentido, essa vitória na Eslováquia fortalece a esquerda nesses dois âmbitos (UE e Zona do Euro) dominados atualmente pela direita. O país também é membro da OTAN, da OCDE, da OMC e da ONU.
Robert Fico já foi primeiro-ministro de 2006 a 2010. Nessas eleições de 2012, suas propostas para equilibrar o orçamento estatal, o grande desafio atual dos países europeus, incluem implementar parcerias público-privadas e estabelecer que bancos e ricos paguem mais impostos, além dos produtos de luxo terem também suas alíquotas de impostos aumentadas. Tudo indica que está se estabelecendo na Europa uma disputa entre projetos para superação da crise econômica, sendo que quanto mais à esquerda, mais propõe-se que o orçamento estatal seja equilibrado principalmente com redistribuição de impostos (mais impostos para os ricos e, às vezes, também menos impostos para a classe média e os pobres), com cortes moderados nos gastos estatais em um movimento anticíclico para reativar a economia, e quanto mais à direita, mais propõe-se, para equilibrar o orçamento estatal, cortes drásticos nos gastos do Estado, sem ênfase na redistribuição dos impostos. Clique aqui para ver o vídeo da notícia.
09/03/2012 - Vladimir Putin conquistou no último domingo, dia 4 de março de 2012, seu terceiro mandato como presidente da Rússia. O primeiro foi de 2000 a 2004, o segundo de 2004 a 2008, e este terceiro será de 2012 a 2018, ou seja, terá 6 anos, diferentemente de seus mandatos anteriores, que foram de 4 anos. Em 2018, Putin terá direito a competir por um quarto mandato, de 2018 a 2024, que se for conquistado, lhe dará no total 20 anos na presidência do país. De 2008 a 2012, período no qual não foi presidente, Putin foi primeiro-ministro. O desempenho dos candidatos nas eleições presidenciais de domingo foi o seguinte:
Vladimir Putin (Rússia Unida): 64%
Guennady Zyuganov (Partido Comunista): 17,2%
Mikhail Prokhorov (sem partido): 7,8%
Vladimir Jirinovsky (Partido Liberal-Democrata): 6,23%
Serguei Mironov (Rússia Justa): 3,85%
O comparecimento da população às urnas foi de 65,3%, cerca de 5% a mais que nas últimas eleições parlamentares, realizadas em dezembro do ano passado. Há muitos questionamentos nacionais e internacionais à lisura das eleições. Houve intensa participação de observadores no processo eleitoral, e foram instaladas câmeras de vídeo em todos os postos de votação, dificultando alguns métodos de fraude. A OSCE (Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa) criticou fortemente a qualidade do processo eleitoral, mas apontou as recentes reformas eleitorais encaminhadas ao parlamento pelo governo como uma possibilidade de considerável melhora na qualidade das eleições.
Assim, após esse ciclo eleitoral, com a eleição parlamentar de dezembro de 2011 e a presidencial de março de 2012, abre-se um período de modificações na estrutura político-partidária do país. Além das reformas que estão tramitando no parlamento, há perspectiva de criação de alguns partidos políticos em um futuro próximo. Dois exemplos são o partido PARNAS (Partido da Liberdade Popular), que desde 2010 vem tentando sem sucesso sua inscrição oficial, e o partido de direita que provavelmente será criado pelo riquíssimo empresário Mikhail Prokhorov, que ficou em terceiro nessa eleição presidencial.
As próximas eleições parlamentares serão daqui a 5 anos, e as próximas presidenciais, daqui a 6 anos. Assim, teremos um período relativamente longo com a atual situação do poder estatal, o que significa que a postura no ambiente internacional que a Rússia teve desde a ascensão de Putin, em 2000, não vai mudar significativamente. Já no ambiente não-estatal, da sociedade civil e da oposição política, a situação pode mudar significativamente nos próximos anos, preparando as forças políticas para novos embates eleitorais que poderão originar governos que, esses sim, modifiquem substancialmente as políticas interna e externa da Rússia. Clique aqui para ver o vídeo da notícia.
02/03/2012 - Hoje ocorrerão eleições parlamentares no Irã, que podem ser decisivas para aumentar ou diminuir consideravelmente as chances de haver uma guerra entre o país e Israel e a Otan. As principais forças na disputa eleitoral de hoje são o grupo político que apoia o atual presidente, Mahmoud Ahmadinejad, e o grupo político mais ligado ao setor mais religioso e conservador. Atualmente, este último setor já domina o parlamento, que é formado por 290 assentos. Uma eventual maioria do grupo que apoia Ahmadinejad facilitaria uma saída negociada quanto ao impasse do programa nuclear do país. A manutenção da maioria mais religiosa e conservadora, pela postura menos negociadora quanto ao programa nuclear desse grupo político, aumentaria consideravelmente as chances de um conflito militar na região.
Essas eleições também são uma prévia das eleições presidenciais que ocorrerão no ano que vem. Para Ahmadinejad conseguir fazer seu sucessor, ele precisa chegar com grande força política às eleições presidenciais. Para isso, essas eleições parlamentares de hoje serão decisivas, uma vez que será medido o apoio popular ao governo de Ahmadinejad. Além da questão das pressões internacionais pelo programa nuclear do país, a economia é um assunto importante, com preocupação com o desemprego, que segundo as cifras oficiais é de 12%.
De fato, as sanções econômicas internacionais, causadas pela controvérsia quanto ao programa nuclear do país, acabam conectando as questões político-militares às questões econômicas. A influência desse ambiente na população é outro fator importante a ser medido nessas eleições. A taxa de participação do eleitorado também será uma indicação do estado de ânimo da população quanto ao governo em geral. Nas últimas eleições parlamentares, em 2008, essa taxa foi de 55,4%. Para votar, basta ter mais de 18 anos e ter um documento de identidade. São pouco mais de 48 milhões de eleitores no país.
3.444 candidatos vão disputar as 290 vagas no parlamento. Haviam tentado a candidatura junto às autoridades eleitorais 5.405 pessoas. Os candidatos devem ter entre 30 e 74 anos. A campanha começou oficialmente no último dia 23 de fevereiro. No caso de uma vitória do setor mais religioso e conservador, existe a possibilidade da mudança do regime presidencialista para o parlamentarista, mas para isso a vitória eleitoral teria que ser por considerável margem. Quantos aos setores mais pró-ocidentais, suas chances eleitorais diminuíram bastante desde 2009, quando, após a reeleição de Ahmadinejad, houve protestos abertos nas ruas criticando o sistema político-eleitoral com a consequente repressão das forças estatais.
A controvérsia internacional sobre o programa nuclear do Irã pode, realmente, lançar o mundo em mais uma guerra de grande porte, muito maior do que, por exemplo, a última guerra do Iraque. Nesse sentido, não só a situação política do Irã é vital, mas também especialmente a dos EUA e a de Israel. Uma vitória republicana nas eleições presidenciais estadunidenses de novembro deste ano aumentaria muito as chances de um conflito militar com o Irã, assim como uma vitória eleitoral da direita israelense em outubro do ano que vem. Assim, a disputa eleitoral de hoje no Irã é somente uma das várias que vão definir se o mundo verá, de fato, uma guerra de grande porte na região em um futuro próximo. Clique aqui para ver o vídeo da notícia.