26/12/2011 - A Costa do Marfim realizou eleições parlamentares no último dia 11 de dezembro de 2011. O país não realizava eleições parlamentares desde o ano 2000. No dia 11 estavam em disputa 255 vagas no parlamento, sendo que a coalizão atualmente no governo do presidente Alassane Outtara obteve cerca de 220 cadeiras, ou seja, mais de 85% do parlamento. O partido do ex-presidente Laurent Gbagbo, a Frente Popular Marfinense (FPI), boicotou a eleição. Após as eleições presidenciais de novembro de 2010, quando Outtara disputou a eleição contra o então presidente Gbagbo, ocorreu um conflito entre os apoiadores dos dois candidatos, pois o grupo de Gbagbo questionou a legitimidade dos resultados eleitorais que favoreciam Outtara, negando-se a deixar o governo. Após esse conflito, Gbagbo foi preso.
As eleições parlamentares habitualmente já têm um comparecimento menor que as presidenciais. Juntando isso com o boicote da FPI, ocorreu um comparecimento relativamente baixo, de 36,56%, que mesmo assim foi maior que o comparecimento das eleições parlamentares de 2000. Por outro lado, as eleições presidenciais de novembro de 2010 tiveram cerca do dobro do comparecimento destas eleições do dia 11 de dezembro. O baixo comparecimento foi mencionado pelas várias entidades internacionais que participaram como observadoras da votação.
A CEDEAO (Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental), a OIF (Organização Internacional da Francofonia) e a UEMOA (União Econômica e Monetária dos Estados da África Ocidental) observaram o pleito e consideraram a votação tranquila, pacífica e livre. É realmente muito importante essa observação internacional das próprias entidades africanas para o fortalecimento da democracia na região. A Costa do Marfim, que é membro da UA (União Africana), se localiza no oeste da África, tem cerca de 21 milhões de habitantes, US$ 29 bilhões de PIB e 322 mil km² de área.
O partido de Outtara, o Movimento dos Republicanos (RDR), conseguiu 127 cadeiras no parlamento. Seu principal aliado, o Partido Democrático da Costa do Marfim (PDCI), conseguiu 77 cadeiras. Essa enorme coalizão, em termos de representação no parlamento, que governa hoje o país e que conseguiu mais de 85% das cadeiras tem esse grande tamanho em certa medida para que seja formado um governo com um alto grau de união nacional, em vista do recente conflito com a FPI. A votação contou com o apoio de forças de segurança da ONU, que avaliou que as eleições ocorreram de forma pacífica.
O processo político na Costa do Marfim está sendo construído com o objetivo de pacificar politicamente o país. Nesse sentido, pode-se dizer que essas eleições serviram a esse propósito, com o processo eleitoral ocorrendo de forma tranquila com uma ampla vitória da coalizão governamental. O fato da FPI ter boicotado as eleições diminui a qualidade do processo eleitoral, mas era muito difícil evitá-lo nas atuais condições. Por isso, é muito importante que continue o processo de integração política para que inclusive a FPI se integre às próximas eleições, pois a qualidade dos processos eleitorais é essencial para que melhore aceleradamente a qualidade de vida da população do país. Clique aqui para ver o vídeo da notícia.