07/12/2011 - Nas eleições parlamentares de Marrocos, ocorridas no último dia 25 de novembro, o partido com o maior número de cadeiras conquistadas foi o Partido da Justiça e do Desenvolvimento (PJD). O partido, de orientação islâmica moderada, conseguiu 107 das 395 cadeiras do parlamento e seu líder, Abdelilah Benkirane, será o primeiro-ministro do país. Vejamos como ficou a divisão de cadeiras do parlamento entre os diversos partidos:
Partido da Justiça e do Desenvolvimento (PJD): 107 cadeiras
Partido Istiqlal (PI): 60 cadeiras
Movimento Nacional de Independentes (RNI): 52 cadeiras
Partido da Autenticidade e da Modernidade (PAM): 47 cadeiras
União Socialista das Forças Populares (USFP): 39 cadeiras
Movimento Popular (MP): 32 cadeiras
União Constitucional (UC): 23 cadeiras
Partido do Progresso e do Socialismo (PPS): 18 cadeiras
Partido Trabalhista (PT): 4 cadeiras
Outros partidos: 13 cadeiras
A nova Constituição aprovada em julho deste ano deu maiores poderes ao primeiro-ministro, determinando que o rei Mohammed VI aponte como primeiro-ministro o líder do partido que conseguir mais assentos no parlamento, que nesta eleição foi o PJD. Cerca de 45% dos eleitores em potencial votaram. Os observadores eleitorais nacionais e internacionais qualificaram positivamente o processo eleitoral.
A composição final do governo, ou seja, quais partidos vão participar do governo, ainda está em negociação. Nesta eleição, 30 partidos disputaram o voto dos eleitores. Dos 395 assentos do parlamento, 305 são eleitos por listas partidárias e os outros 90 são eleitos por uma lista nacional que reserva 2/3 para mulheres e 1/3 para menores de 40 anos. Clique aqui para ver o vídeo da notícia.
08/09/2011 - Marrocos vai realizar eleições parlamentares no próximo dia 25 de novembro. O país não está construindo uma real democracia, como o Egito e a Tunísia, e sim estruturando um sistema onde o governo terá uma parte democrática - o primeiro-ministro, eleito pelo parlamento - e uma parte não-democrática - o rei. Pode-se dizer que o novo sistema se parece um pouco ao que existe atualmente no Irã, onde também o governo tem uma parte democrática - o presidente eleito - e uma parte não-democrática - o líder supremo.
Esse tipo de processo de transição rumo à democracia não é exclusividade dos países de predominância muçulmana, sendo que já foi experimentado pela Europa, por exemplo na Inglaterra, com a gradual diminuição do poder da realeza até chegar a ser uma figura decorativa, como hoje em dia. A tendência a longo prazo é que regimes como esse que está sendo instalado no Marrocos e o existente atualmente no Irã evoluam dessa forma, ficando o rei de Marrocos e o líder supremo do Irã cada vez com menos poder no Estado até chegarem ao nível de poder atual da rainha da Inglaterra. Quando exatamente isso vai acontecer é impossível saber, mas a tendência é que ocorra a médio prazo.
Assim, as eleições parlamentares de 25 de novembro em Marrocos serão as primeiras desse novo sistema. Essas mudanças políticas foram aprovadas por 98% dos eleitores em um referendo realizado em 1º de julho deste ano e organizado pelo governo do rei Mohammed VI, que com a democratização de vários países da região foi praticamente obrigado politicamente a propor essas mudanças ao país. De fato os protestos nas ruas este ano em Marrocos foram menos intensos do que no Egito ou na Tunísia, por exemplo, assim como a repressão a eles. Essa diferença está relacionada com o fato de Marrocos ainda ser governado por um rei que inclusive é o chefe religioso do país, enquanto que o Egito e a Tunísia eram governados, até as revoluções deste ano, por ditaduras relativamente laicas.
As mudanças constitucionais aprovadas em 1º de julho também trazem uma maior independência do Poder Judiciário de Marrocos. Os partidos políticos tradicionais parecem estar aceitando as mudanças, mas a juventude do país ainda não se adaptou à moderação das mudanças políticas, comparadas às reais democratizações do Egito e da Tunísia, por exemplo. Apesar disso, essa resistência de alguns setores da juventude não parece forte o suficiente para impedir o novo sistema de ser instalado. De fato, o novo regime será consideravelmente mais democrático do que o anterior e é um avanço importante rumo a uma democratização geral dos países de maioria muçulmana. Clique aqui para ver o vídeo da notícia.