24/01/2012 - No último dia 15 de janeiro foram realizadas eleições parlamentares no Cazaquistão. Até esta eleição, o partido atualmente no poder, o Nur Otan, tinha todos os 98 parlamentares eleitos da Majilis, como é chamada a câmara baixa do país. A câmara alta, o Senado, não tem eleição popular direta como a câmara baixa, sendo eleito basicamente pelas instituições provinciais. Nesta eleição para a câmara baixa, no dia 15 de janeiro, além do Nur Otan, que teve 80,74% dos votos, outros dois partidos conseguiram entrar no parlamento; o Ak-Jol, partido de orientação empresarial, com 7,46% dos votos, e o Partido Comunista Popular (PCP), com 7,2% dos votos.
Após as eleições parlamentares de 2007, quando o Nur Otan conseguiu todas as cadeiras, foi feita uma modificação na lei eleitoral que permitia que, apesar da cláusula de barreira ser de 7%, o segundo partido mais votado tivesse direito a entrar no parlamento mesmo que não chegasse a 7%. O objetivo dessa modificação foi garantir que pelo menos dois partidos entrassem no parlamento. Pode-se observar que nesta eleição de 2012, os outros dois partidos que conseguiram entrar no parlamento além do Nur Otan, o Ak-Jol e o PCP, não precisariam dessa modificação na lei para entrar no parlamento, já que os dois conseguiram mais de 7%.
No total, 7 partidos disputaram as eleições, sendo que, em termos de votação, depois desses 3 partidos que conseguiram entrar no parlamento, veio o partido OSDP-Azat, de orientação social-democrata, com somente 1,59% do total de votos. O OSDP-Azat, que é um partido frontalmente contrário ao governo, diferentemente do Ak-Jol e do PCP, mais próximos ao governo, criticou intensamente o processo eleitoral. Os observadores eleitorais da OSCE (Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa) não consideraram a eleição democrática, ao apontarem numerosas irregularidades como falhas na apuração dos votos, falsificação de cédulas, introdução fraudulenta de cédulas nas urnas e má qualidade dos registros de eleitores, além do fato de que segundo a OSCE o governo controlou demasiadamente toda a campanha e o processo de votação.
Apesar de apontar todos esses problemas e de não considerar a eleição democrática, a OSCE avaliou bem a parte técnica da eleição e também elogiou a mudança da lei eleitoral que permitia ao segundo partido mais votado entrar no parlamento mesmo com menos de 7%. Após a divulgação da avaliação da OSCE, o atual presidente do país, Nursultan Nazarbayev, afirmou que não convidará mais observadores internacionais da OSCE, discordando fortemente da avaliação da entidade sobre as eleições. Nazarbayev está no poder há cerca de 20 anos, desde o fim do período soviético do país. Essas eleições parlamentares estavam previstas para daqui a 6 meses, mas em novembro de 2011 foi anunciada a antecipação, o que foi visto pela oposição como uma manobra do governo para diminuir o tempo de preparação da oposição para as eleições.
O Cazaquistão se localiza na Ásia Central, tendo um território de 2,7 milhões de km², 16 milhões de habitantes e cerca de US$ 162 bilhões de PIB. O território do país é estratégico por se localizar entre a China, a Rússia e a Europa, sendo portanto relevante para a infra-estrutura necessária para os fluxos de comércio na região. Além disso, o país tem uma grande quantidade de recursos naturais e uma população relativamente pequena. O governo do país mantém relações relativamente boas com as grandes potências, o que explica em parte a estabilidade no poder de Nazarbayev. Esta será a primeira vez na era pós-soviética que haverá mais de um partido no parlamento. A participação popular na eleição foi de cerca de 72%, ligeiramente maior que a de 2007, que foi de 64,5%. Clique aqui para ver o vídeo da notícia.