31/01/2012 - A China está realizando um processo eleitoral ao longo de 2011 e 2012 que vai renovar cerca de 70% dos integrantes da cúpula política do país, o que inclui o presidente e o primeiro-ministro. É praticamente certo que o novo presidente será Xi Jinping, que no segundo semestre deste ano, durante o 18º Congresso Nacional do Partido Comunista Chinês, assumirá o cargo de secretário-geral do Comitê Central do Partido Comunista. Em março do ano que vem, ele assumirá a presidência do país, para um mandato de 5 anos, que costuma ser renovado por mais 5. Assim, Xi Jinping provavelmente será o presidente da China por 10 anos, até 2023, quando a economia do país possivelmente terá dobrado de tamanho em relação aos dias de hoje.
Assim, pode-se imaginar a importância que a figura do presidente chinês adquirirá ao longo do mandato de Xi Jinping. Por isso, apesar da China não ser um país democrático, o processo de escolha de seus líderes acaba sendo extremamente importante, mesmo porque a democratização da China, quando ocorrer efetivamente, terá uma influência mundial fortíssima, provavelmente marcando o início do domínio global do sistema democrático de distribuição do poder. Assim, o processo lento e não-linear da aproximação da democracia na China precisa ser acompanhado de perto.
O poder político na China é exercido basicamente pelo Partido Comunista Chinês. As eleições locais tem um certo grau de participação popular mesmo de pessoas de fora do partido, mas à medida em que o nível de poder sobe, os espaços vão se fechando para quem não é membro do PC, que tem cerca de 80,3 milhões de membros. Como a população total do país é de cerca de 1,34 bilhões de pessoas, a proporção de pessoas com efetivos direitos políticos ainda é muito menor do que ocorre em países democráticos. Em 2011, solicitaram entrada no PC cerca de 21 milhões de pessoas, mas só cerca de 3 milhões conseguiram entrar.
Hoje em dia, Xi Jinping é vice-presidente da China. É bom lembrar que o atual presidente, Hu Jintao, também era vice-presidente antes de assumir a presidência. Isso mostra o grau de previsibilidade da mudança no cargo. Na posição de primeiro-ministro, é praticamente certo também que o atual ocupante do cargo, Wen Jiabao, vai ser substituído por Li Kequiang. Quanto às eleições locais, apesar delas terem uma influência relativamente pequena no governo do país, o fato de 900 milhões de pessoas participarem, elegendo cerca de 2 milhões de legisladores em 2 mil distritos e 30 mil povoados, é muito importante para o crescimento de uma cultura democrática de participação eleitoral.
Em 2011, pela primeira vez a porcentagem de pessoas morando nas cidades foi maior que a de pessoas morando no campo, na proporção de 51% a 49%. Assim, continua evoluindo a tendência à urbanização do país, que é um fator decisivo rumo à viabilização de um sistema democrático. Outro fator também muito importante para isso é justamente o desenvolvimento do país, que também continua a pleno vapor. Assim, à medida em que a China for se aproximando de ser um país urbano e desenvolvido, as pressões pela mudança do sistema político tendem a se tornar muito mais fortes do que ocorre atualmente. Por isso, seguramente a democracia não é algo que virá de fora para dentro, e sim de dentro da própria sociedade chinesa. Clique aqui para ver o vídeo da notícia.