23/12/2011 - As eleições parlamentares da Croácia, ocorridas no dia 4 de dezembro deste ano, deram a vitória à coalizão de centro-esquerda Kukuriku, formada por quatro partidos e liderada pelo Partido Social-Democrata (SDP), do novo primeiro-ministro Zoran Milanovic. A coalizão vencedora conquistou 80 dos 151 assentos do parlamento. A coalizão de direita liderada pela União Democrática Croata (HDZ), que até esta eleição estava no governo com a primeira-ministra Jadranka Kosor, conseguiu 47 assentos. O país assinou no dia 9 de dezembro deste ano o acordo para entrar na União Europeia em 2013. Este acordo vai ser o assunto de um plebiscito no dia 22 de janeiro do ano que vem. Vejamos os resultados da eleição quanto aos diferentes partidos e coalizões:
Coalizão Kukuriku: 80 assentos
Coalizão HDZ: 47 assentos
Trabalhistas Croatas: 6 assentos
HDSSB: 6 assentos
Outros (5 partidos): 12 assentos
Dos 80 assentos da coalizão vitoriosa, o Partido Social-Democrata (SDP) teve 61 assentos, o Partido do Povo da Croácia teve 13 assentos e a Assembleia Democrática Istriana e o Partido Croata dos Aposentados tiveram 3 assentos. Uma relativa surpresa da eleição foi o desempenho dos Trabalhistas Croatas, que conseguiram 6 assentos. Desde a independência do país, em 1991, a direita, com a HDZ, governou o país na maior parte do tempo. Nesse sentido, essa vitória da esquerda é significativa, ainda mais no atual contexto de crise econômica na Europa que, por enquanto, vem favorecendo eleitoralmente a direita, principalmente na parte ocidental da Europa.
Uma missão limitada da OSCE (Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa) que observou a votação elogiou significativamente o processo eleitoral. Ao que tudo indica, as instituições democráticas do país estão bastante fortes inclusive pela iminente entrada do país na União Europeia (UE) daqui a um ano e meio. O país já faz parte da OTAN. Durante essa campanha eleitoral, o tema do combate à corrupção foi bastante forte, sendo que o atual governo de direita estava especialmente desgastado em relação a esse assunto. O comparecimento nas eleições foi de 62%.
O panorama eleitoral na Europa apresenta uma situação que, no geral, favorece a direita, mas não de uma forma homogênea em todas as regiões. As maiores economias do continente, localizadas mais no ocidente da Europa, têm atualmente uma inclinação à direita mais acentuada que o leste europeu e a região dos Bálcãs. Assim, pode-se dizer que o forte predomínio dos governos de direita na Europa está sustentado pelos países mais ocidentais. Nesse contexto, se a esquerda vencer as eleições presidenciais na França em abril do ano que vem, o predomínio da direita em geral na Europa pode ser duramente atingido, ainda mais neste momento em que a direita europeia parece ter dificuldades (assim como a esquerda, claro) de apresentar soluções que tragam esperança no futuro para os europeus, e não somente mensagens da necessidade de restrições dos gastos do Estado, tema em que a direita está muito focada no momento. Clique aqui para ver o vídeo da notícia.