20/12/2011 - As eleições parlamentares ocorridas na Eslovênia no dia 4 de dezembro representaram uma importante vitória da esquerda no panorama dos países balcânicos. Foram eleições antecipadas, marcadas após ter caído o governo de esquerda do ex-primeiro ministro Borut Pahor, do Partido Social-Democrata (SD), em setembro deste ano. No dia 4, o grande vitorioso foi o prefeito da capital do país, Liubliana, Zoran Jankovic, cujo partido conseguiu o maior número de parlamentares, alçando-o ao cargo de virtual primeiro-ministro. Seu partido é o Eslovênia Positiva (PS), de centro-esquerda, que conseguiu 28 dos 90 assentos do parlamento, que é unicameral. Vejamos os resultados de todos os partidos que conseguiram assentos no parlamento:
Eslovênia Positiva (PS): 28 assentos
Partido Democrático da Eslovênia (SDS): 26 assentos
Partido Social-Democrata (DS): 10 assentos
Lista Cívica de Gregor Virant (LGV): 8 assentos
Partido Democrático dos Pensionistas da Eslovênia (DeSUS): 6 assentos
Partido Popular da Eslovênia (SLS): 6 assentos
Partido Popular Cristão (NSi): 4 assentos
A vitória de Jankovic e da esquerda foi relativamente surpreendente, uma vez que o favorito para ser o novo primeiro-ministro era o líder do SDS, Janez Jansa, de direita. Entretanto, com uma grande campanha em Liubliana e um forte voto tático dos eleitores do país, o governo manteve-se no espectro político da esquerda. Ainda não estão totalmente concluídas as negociações sobre quais partidos especificamente vão fazer parte do governo, mas o mais provável até o momento parece ser um governo formado pelo PS, SD, LGV e DeSUS. A cláusula de barreira para um partido entrar no parlamento é de 4%.
A Eslovênia tem um desenvolvimento relativamente alto na região dos Bálcãs. Com cerca de 2 milhões de habitantes, 20 mil km² e US$ 44 bilhões de PIB, o país é membro da União Europeia (UE), tem o euro como moeda e faz parte da OCDE e da OTAN. A Eslovênia foi afetada fortemente pela crise econômica dos países mais desenvolvidos, especialmente os europeus, e as tentativas de corte de gastos do governo foram a principal causa de sua queda em setembro. O sistema político no país é parlamentarista, com voto proporcional, sendo que das 90 vagas no parlamento, uma é reservada para a comunidade italiana e uma é reservada para a comunidade húngara. O mandato parlamentar é de 4 anos. No atual panorama europeu, com um predomínio de vitórias eleitorais da direita, esta vitória da esquerda serve para mostrar que com certeza há espaço para a recuperação eleitoral da esquerda no continente, cujo grande teste serão as eleições francesas de abril do ano que vem. Clique aqui para ver o vídeo da notícia.