09/12/2011 - As eleições parlamentares na Rússia ocorridas no último domingo, dia 4 de dezembro, tiveram como resultado, por um lado, uma maioria parlamentar do atual partido governante, o Rússia Unida, cujo líder máximo é o atual primeiro-ministro, Vladimir Putin, mas por outro lado, mostraram que se intensifica na Rússia uma maior distribuição dos votos entre os vários partidos do país, ou seja, está ocorrendo a multipartidarização da democracia russa. Assim, a era pós-soviética da polarização eleitoral entre a direita e o Partido Comunista parece estar chegando ao fim. Vejamos os resultados dos diversos partidos no parlamento de 450 cadeiras.
Rússia Unida: 49,54% dos votos e 238 cadeiras (77 a menos que em 2007)
Partido Comunista: 19,16% dos votos e 92 cadeiras (35 a mais que em 2007)
Rússia Justa: 13,22% dos votos e 64 cadeiras (26 a mais que em 2007)
Partido Liberal Democrata: 11,56% dos votos e 56 cadeiras (16 a mais que em 2007)
Yábloko: 3,3% dos votos e 0 cadeiras
Patriotas da Rússia: 0,97% dos votos e 0 cadeiras
Causa Justa: 0,59% dos votos e 0 cadeiras
Com esse resultado, o Rússia Unida ficou com um pouco mais que os votos necessários para indicar o primeiro-ministro, mas perdeu a maioria constitucional de mais de 2/3 que tinha até esta eleição ao perder 77 cadeiras. Inclusive, o fato de ter tido menos que a metade dos votos tira força política do partido, já que deixa evidente a dispersão dos votos dos russos. Quanto aos outros partidos, apesar do Partido Comunista ter ficado em segundo, o que mais cresceu proporcionalmente foi o Rússia Justa, que se aproximou bastante do Partido Comunista em número de votos.
O Partido Yábloko conseguiu 3,3% do total de votos, aproximando-se dos 5% que lhe dariam 2 vagas no parlamento. Para entrar no parlamento por representação proporcional, um partido precisa de 7% dos votos, mas se o Yábloko tivesse chegado a 5% teria sido um grande incentivo para a diminuição da cláusula de barreira. Assim, vemos que o crescimento dos partidos de oposição além do Partido Comunista (extrema-esquerda), e a acentuada queda do Rússia Unida (direita), configuram uma reorganização em curso da política eleitoral partidária russa, com a emergência de forças políticas mais à esquerda.
Agora a grande questão que se abre é a eleição presidencial de 4 de março do ano que vem. Valdimir Putin já se inscreveu como candidato, sendo que o mandato é de 6 anos com direito à reeleição. Para existir alguma chance de que Putin não seja eleito presidente, deverá haver um segundo turno entre Putin e um candidato da oposição que não seja o do Partido Comunista. Se o segundo turno for entre Putin e o candidato do Partido Comunista, as chances de Putin vencer serão muito grandes porque ainda é muito forte a resistência a um governo do Partido Comunista por causa do regime soviético.
Quanto à qualidade democrática da eleição parlamentar de domingo passado, pode-se dizer que o próprio resultado, com uma grande queda do partido do governo e o fato de que ele quase não conseguiu maioria, mostra que o processo eleitoral funciona consideravelmente. Apesar disso, os observadores internacionais apontaram inúmeros problemas na apuração dos votos, o que de fato diminui a qualidade do processo eleitoral. De qualquer forma, o principal problema da democracia russa não se encontra no processo eleitoral, e sim na grande dificuldade de se registrar oficialmente um partido político. Clique aqui para ver o vídeo da notícia.