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Eleições presidenciais na Rússia: 4 de março de 2012

10/02/2012 - As eleições presidenciais na Rússia, marcadas para o próximo dia 4 de março, podem mostrar algumas surpresas em relação à generalizada previsão de vitória de Vladimir Putin, do Partido Rússia Unida e atual primeiro-ministro. Basta lembrar os resultados das eleições parlamentares, em 4 de dezembro do ano passado, nas quais o partido de Putin não alcançou a maioria dos votos, ficando com 49,54% dos votos. Assim, apesar de Putin ser o grande favorito para vencer as eleições presidenciais, é prudente não negar a possibilidade de um resultado supreendente de vitória de outro candidato. Isso porque os quatro candidatos que concorrem com Putin podem acabar somando os votos necessários para levar a eleição para um segundo turno, que seria uma outra eleição com características próprias.

Na oposição a Putin e ao Rússia Unida, é muito forte a alegação de que há excessiva restrição à criação de partidos políticos no país, além do fato de que mesmo os partidos políticos já existentes, se não têm representação no parlamento, têm dificuldades de ter seus candidatos aprovados pelas autoridades eleitorais para a corrida presidencial. Um exemplo disso seria a candidatura do líder do partido liberal Yábloko, Grigori Yavlinski, que teve sua candidatura presidencial negada em janeiro deste ano porque a Comissão Eleitoral Central (CEC) afirmou que 25,66% das assinaturas apresentadas a favor de sua candidatura eram inválidas. Como o Yábloko não tem participação no parlamento, precisa de no mínimo 2 milhões de assinaturas para inscrever um candidato a presidente.

Yavlinski afirma que a negação de sua candidatura teve motivos políticos, e não técnicos. Sobre esse assunto, a chefe da política externa da União Europeia, Catherine Ashton, pediu que se voltasse atrás na negação da candidatura de Yavlinski, o que foi considerado uma intromissão nos assuntos internos do país pelas autoridades russas. Esse ambiente político de dificuldades na criação de partidos políticos e no lançamento de candidaturas contribui para que exista a impressão de que Putin vencerá as eleições com facilidade, mas é preciso analisar se as candidaturas já existentes não poderiam contrariar esse prognóstico.

É possível que os atuais candidatos alternativos a Putin - Mikhail Prokhorov (sem partido), Gennady Zyuganov (Partido Comunista), Serguei Mironov (Rússia Justa) e Vladimir Jirinovski (Partido Liberal-Democrata) - acabem sendo o escoadouro do sentimento de limitação da democracia do país. Assim, mesmo que os candidatos preferidos de muitos eleitores não participem da disputa, é possível que em seu lugar sejam escolhidos os atuais adversários de Putin. Além disso, o perfil da candidatura de Prokhorov, um riquíssimo empresário, pode aglutinar parte do eleitorado da direita econômico-liberal, o que pode ser essencial para levar a eleição a um segundo turno. Para isso, seria vital também um bom desempenho de Mironov, do Rússia Justa, aglutinando os votos da esquerda moderada.

O fato é que os eleitores de Putin tem potencial para votar nas outras candidaturas, mas não parece ter surgido, até o momento, um líder capaz de concentrar fortemente esses votos. Nesse sentido, a candidatura de Prokhorov é a que tem o maior potencial, especialmente porque seu potencial eleitoral ainda não foi testado nas urnas. As recentes manifestações populares contra e a favor de Putin mostram que a democracia russa ainda reserva considerável grau de incerteza sobre os resultados da eleição presidencial. As eleições parlamentares de dezembro mostraram isso concretamente, nas urnas, com o partido de Putin sequer chegando à metade dos votos. Portanto, é preciso estar muito atento às porcentagens que cada candidato presidencial receberá no dia 4 de março, porque trarão indicações importantes sobre a política russa, e não só sobre quem venceu a eleição. Clique aqui para ver o vídeo da notícia.




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