01/11/2011 - As eleições presidenciais na Bulgária, cujo primeiro turno foi no último dia 23 de outubro e o segundo turno uma semana depois, terminaram com a vitória da direita. No segundo turno, Rosen Plevneliev, do GERB (Cidadãos pelo Desenvolvimento Europeu da Bulgária) obteve 52,56% dos votos, enquanto que Ivaylo Kalfin, do BSP (Partido Socialista da Bulgária), obteve 47,44%. O GERB é um partido de centro-direita que comanda atualmente o governo, com o primeiro-ministro Boyko Borisov. Até essa eleição, o presidente do país era Georgi Parvanov, do BSP.
Apesar do governo do país estar centrado no primeiro-ministro, o presidente controla as Forças Armadas, pode vetar leis e tem influência em indicações diplomáticas e judiciais. Durante seu mandato, Parvanov, de esquerda, vetou leis e criticou o governo de direita com frequência. Agora, o GERB terá o Poder Executivo completo, apesar de no parlamento não ter maioria, exercendo um governo de minoria. Uma consequência da vitória no segundo turno do candidato do GERB é que diminuem muito as chances de que haja eleições parlamentares no país antes de 2013, quando termina o mandato do primeiro-ministro.
O país tem uma extrema-direita considerável, motivo pelo qual o governo de minoria do GERB de certa forma modera o direitismo do governo, que seria mais direitista se fosse um governo de maioria de direita. Quanto à esquerda, o resultado da eleição presidencial mostrou que esta tem considerável força no país, alcançando com seu candidato uma porcentagem muito próxima à metade do eleitorado no segundo turno. No primeiro turno, Plevneliev teve 40,11% dos votos e Kalfin teve 28,96%. Uma candidata independente também teve uma votação expressiva no primeiro turno, Meglena Kuneva, de tendência de centro-esquerda, que alcançou 14% dos votos.
A Bulgária tem cerca de 7,5 milhões de habitantes e é membro da União Europeia. A política do país é bastante polarizada, inclusive com a participação ativa da comunidade de influência turca que mora no país cujo maior líder é Ahmed Dogan, do Movimento por Direitos e Liberdade (DPS), que apoiou a esquerda no segundo turno presidencial. Junto com essas eleições presidenciais foram realizadas também eleições locais, nas quais a direita teve uma clara vitória.
No panorama regional, pode-se dizer que os últimos resultados eleitorais na Bulgária, com as seguidas vitórias da centro-direita, refletem o atual predomínio da parte direita do espectro político nos países da União Europeia. Apesar disso, quanto mais fica claro que uma atitude mais integracionista é o melhor caminho para a superação da crise econômica na Europa, mais as forças de esquerda vão recuperando terreno eleitoral, sendo que o grande teste do alcance dessa progressiva recuperação da esquerda europeia será a eleição presidencial francesa de abril do ano que vem. Clique aqui para ver o vídeo da notícia.
31/10/2011 - As eleições para uma assembleia constituinte na Tunísia que ocorreram no último dia 23 de outubro estão contribuindo para abolir o estereótipo de incompatibilidade entre islamismo e democracia. A votação pode ser considerada democrática, apesar das muitas irregularidades apontadas pelos observadores nacionais e internacionais. Quanto aos resultados, cinco partidos tiveram um número considerável de parlamentares eleitos, sendo que outros 23 partidos dividiram as vagas restantes. No total são 217 cadeiras na assembleia constituinte. Vejamos os resultados:
Al-Nahda: 90 cadeiras
Congresso para a República (CPR): 30 cadeiras
Ettakatol: 21 cadeiras
Aridha Chaabia: 19 cadeiras
Partido Democrático Progressista (PDP): 17 cadeiras
Outros (23 partidos): 40 cadeiras
Assim, os cinco maiores partidos somam 177 das 217 cadeiras. Destes cinco partidos, o PDP já declarou que não vai participar do governo. Quanto ao Aridha Chaabia, suas relações relativamente difíceis com os outros partidos podem deixá-lo fora do governo, já que Al-Nahda, CPR e Ettakatol somam 141 cadeiras, número suficiente para formar um governo com sólida maioria no parlamento. Apesar disso, as negociações para a formação do governo ainda estão ocorrendo e os partidos que o formarão ainda não estão definidos, sendo praticamente certa apenas a participação do Al-Nahda e do CPR.
O PDP é um partido fortemente secular, com tendência à centro-esquerda, que se opõe quase frontalmente ao Al-Nahda pela ênfase religiosa deste último. O Ettakatol é um partido social-democrata com relações menos antagônicas que o PDP em relação ao Al-Nahda. Tudo indica que o novo primeiro-ministro do país vai ser do Al-Nahda, provavelmente seu secretário-geral, Hammadi Jebali. Se o Ettakatol participar do novo governo, certamente contribuirá para levar o governo um pouco mais para a esquerda, contribuindo para a consolidação da democracia na Tunísia.
Os resultados da eleição foram anunciados na última sexta-feira, dia 28 de outubro, pela Alta Autoridade Independente para a Eleição (ISIE). O fato de haver 40 cadeiras distribuídas entre 23 pequenos partidos é um dado relevante que indica uma certa desorganização na estrutura político-partidária, desorganização essa que tende a diminuir nas próximas eleições, pela percepção da ineficiência dessa atomização. De modo geral, pode-se dizer que essas eleições na Tunísia abriram uma nova etapa na história dos países árabes, a era democrática. Clique aqui para ver o vídeo da notícia.
27/10/2011 - As eleições parlamentares da Suíça em 23 de outubro movimentaram ligeiramente o espectro político para a esquerda. Isso porque os principais partidos de direita tiveram considerável queda, os principais partidos de esquerda no geral permaneceram quase estáveis, com uma ligeira queda, e novos partidos de centro surgiram, ocupando os espaços liberados. Como esse espaço liberado no parlamento é mais de direita que de esquerda, ou seja, como houve uma substituição de cadeiras de direita por cadeiras de centro, pode-se dizer que o espectro político se moveu ligeiramente para a esquerda. Vejamos os resultados da eleição para o Conselho Nacional (Câmara baixa):
União Democrática de Centro (UDC): 54 cadeiras (8 a menos que em 2007)
Partido Socialista (PS): 46 cadeiras (3 a mais que em 2007)
Partido Liberal Radical (PLR): 30 cadeiras (5 a menos que em 2007)
Partido Democrata Cristão (PDC): 28 cadeiras (3 a menos que em 2007)
Partido Verde (PV): 15 cadeiras (5 a menos que em 2007)
Partido Verde Liberal (VL): 12 cadeiras (9 a mais que em 2007)
Partido Burguês Democrático (PBD): 9 cadeiras (9 a mais que em 2007)
Assim, os dois tradicionais partidos de esquerda, o PS e o PV, se mantiveram semelhantes na soma porque o PS ganhou 3 e o PV perdeu 5 cadeiras, totalizando 61 cadeiras, das 200 do Conselho Nacional. Já os tradicionais partidos de direita (UDC e PLR), perderam 13 cadeiras na soma, totalizando 84 cadeiras. No centro político, vêm se juntar ao PDC o VL e o PBD, sendo que o VL parece se originar de ex-votos de esquerda e o PBD de ex-votos de direita, somando no total os partidos de centro 49 cadeiras. As 6 cadeiras restantes são ocupadas por partidos muito pequenos.
Assim, podemos explicar o crescimento do centro com uma diminuição bem maior da direita que da esquerda. Os motivos podem estar relacionados à ênfase que a direita deu nos últimos anos à restrição à imigração. Além disso, este movimento eleitoral diminui a polarização no país, pouco adequada ao histórico político da Suíça. O governo do país será eleito pelo parlamento em 14 de dezembro deste ano, sendo eleitos os 7 ministros do Conselho Federal. Cada um deles tem que conseguir o voto da maioria do parlamento, não havendo a escolha direta de um primeiro-ministro, como em outros países parlamentaristas.
A tendência é que a composição do governo siga sendo bastante semelhante à atual, provavelmente com a substituição de um ministro de direita por um ministro de centro. A eleição para o Senado (Câmara alta), formado por 46 integrantes, ainda terá um segundo turno para vários cantões, mas no primeiro turno já se registrou um leve avanço da esquerda. A eleição dos 7 ministros do governo é feita em votação conjunta do Conselho Nacional e do Senado. Clique aqui para ver o vídeo da notícia.
26/10/2011 - O atual presidente de Camarões, Paul Biya, que está há 29 anos na presidência do país, se reelegeu para mais 7 anos no cargo. O anúncio oficial foi feito no último dia 21 de outubro, referente às eleições presidenciais ocorridas em 9 de outubro. A oposição do país não reconheceu o resultado das eleições, dizendo que o processo eleitoral teve inúmeras irregularidades que deveriam anulá-lo. Segundo o resultado oficial, Biya, da União Democrática do Povo Camaronês (RDPC), teve 78% dos votos, enquanto que o principal candidato da oposição, Ni John Fru Ndi, da Frente Social-Democrata (SDF), teve 11%.
Houve 23 candidatos a presidente, o que dificultou bastante a campanha da oposição, que se estivesse unida em uma frente única teria mais condições de enfrentar nas urnas o atual presidente. Um grande problema quanto à qualidade das eleições em Camarões é o registro eleitoral, que segundo a oposição tem muitos nomes de pessoas que morreram, o que facilita a fraude. As próprias autoridades eleitorais do país admitem esse problema, dizendo que isso ocorre porque o país não tem um registro civil, então o Estado não é informado quando uma pessoa morre. De qualquer forma, o problema parece ser bastante grave, já que até as autoridades eleitorais o admitem.
A SDF entrou com várias ações legais para invalidar as eleições, que foram negadas pelas autoridades eleitorais. Internacionalmente, a reação das grandes potências foi bastante branda. É fato que o governo dos EUA apontou uma série de irregularidades nas eleições. Já o da França, que colonizou o país até os anos 60 do século XX, aceitou sem muitas dificuldades o resultado. O governo camaronês não parece despertar tantas reações nos países mais desenvolvidos como tantos outros países africanos, apesar do país ainda não poder ser considerado democrático, pelo excesso de fatores que prejudicam a qualidade do processo eleitoral.
Apesar dos problemas nas eleições, houve consideráveis avanços, como por exemplo a permissão para que votem as pessoas que residem fora do país. Houve postos de votação em 20 países. Como avaliação geral das eleições, pode-se dizer que Camarões tem um sistema político que, apesar de estar se abrindo gradualmente, ainda tem uma influência muito grande do governo em todo o processo eleitoral. Assim, a liberdade de campanha é muito restrita, o financiamento de campanha é muito restrito, o registro eleitoral é de muito baixa qualidade, ou seja, a eleição não atinge os patamares mínimos democráticos. Apesar disso, o fato das eleições terem sido realizadas é muito positivo, pois é somente com a sequência de processos eleitorais que o povo camaronês construirá a médio prazo uma democracia, melhorando a organização eleição após eleição. Clique aqui para ver o vídeo da notícia.
24/10/2011 - A esquerda argentina conseguiu uma vitória contundente nas eleições gerais de ontem. O mais importante foi a vitória em primeiro turno, com quase 54% dos votos, da atual presidenta Cristina Kirchner, mas não pode deixar de ser mencionada a retomada da maioria no parlamento da coalizão de centro-esquerda que governa o país, tanto na Câmara de Deputados quanto no Senado. Essa retomada da maioria no parlamento é ainda mais significativa pelo fato de que só 1/3 do Senado e metade da Câmara de Deputados foram renovados, o que mostra que se o parlamento completo tivesse sido renovado a vitória governista teria sido ainda maior. Vejamos os resultados da eleição para presidente:
Cristina Kirchner (Partido Justicialista): 53,96%
Hermes Binner (Partido Socialista): 16,87%
Ricardo Alfonsín (União Cívica Radical): 11,15%
Alberto Rodríguez Saá (Peronismo Federal - dissidente justicialista): 7,98%
Eduardo Duhalde (União Popular - dissidente justicialista): 5,89%
Jorge Altamira (Partido Operário): 2,32%
Elisa Carrió (Coalizão Cívica): 1,85%
Assim, vemos que a segunda colocação foi ocupada pelo candidato do Partido Socialista, enquanto que a terceira, pelo candidato da União Cívica Radical. Nenhum desses dois partidos pode ser considerado de centro-direita, então pergunta-se: onde está a direita da Argentina na eleição presidencial? Em primeiro lugar, está nos votos dos candidatos Eduardo Duhalde e Alberto Rodríguez Saá. Em segundo lugar, está no apoio à principal figura da direita argentina, Mauricio Macri, prefeito de Buenos Aires, que decidiu não se candidatar a presidente, e sim à reeleição para a prefeitura da capital do país. A direita da Argentina eleitoralmente viável em termos presidenciais está organizada principalmente em torno de Macri. Se ele e seu partido, o PRO (Proposta Republicana), não apoiaram ninguém nesta eleição, é claro que a direita perdeu muita força em termos de porcentagem de votos.
A estratégia de Macri de não se candidatar a presidente nem apoiar nenhum candidato a presidente através de seu partido, o PRO, pode acabar custando muito para a direita da Argentina, porque a força eleitoral do governo de Cristina Kirchner agora é bem maior do que antes dessas eleições, inclusive com maioria no parlamento, o que não tinha. Além disso, o PRO terá somente 10 dos 257 deputados, um número baixíssimo. O único sentido dessa ausência do PRO da eleição presidencial seria dividir a centro-esquerda para daqui a quatro anos conseguir o apoio de parte da centro-esquerda para disputar a presidência contra o candidato apoiado por Cristina. Parece uma tática muito arriscada, porque se o governo de Cristina for bem nestes quatro anos, é improvável que a presidenta não faça o seu ou a sua sucessora.
Nesse sentido, sería positivo para a permanência da esquerda no governo a longo prazo que fosse formada após essas eleições uma coalizão entre o grupo político de Cristina - a Frente para a Vitória - e os grupos políticos de outros candidatos presidenciais, especialmente o Partido Socialista, de Hermes Binner, e a União Cívica Radical, de Ricardo Alfonsín. A médio prazo, o apoio desses dois partidos será essencial para disputar com Mauricio Macri, o PRO e a direita, a presidência. Até lá, a esquerda tem que governar com eficiência, como tem de fato governado até agora, tomando cuidado para manter o menos agressivo possível o panorama político nacional, pois essa agressividade sempre favorece a direita e/ou a extrema-esquerda. Clique aqui para ver o vídeo da notícia.
21/10/2011 - As primeiras eleições judiciais do mundo ocorreram no último domingo na Bolívia. Não é uma eleição que constitui um poder independente, como normalmente são as eleições presidenciais ou parlamentares, mas dão um maior grau de independência ao Poder Judiciário e uma maior possibilidade de escolha à população quanto aos juízes dos mais altos tribunais da Bolívia. Os 115 candidatos foram escolhidos pelo parlamento do país, e o povo elegeu 56 juízes (28 titulares e 28 suplentes) para o Tribunal Supremo de Justiça, o Tribunal Constitucional, o Tribunal Agroambiental e o Conselho da Magistratura.
Essa maior margem de escolha da população ocorre porque sem as eleições judiciais, a escolha dos juízes é somente dos poderes Executivo e Legislativo. Com essas eleições, o povo tem pelo menos alguma influência no processo. A direita, que faz oposição ao governo de Evo Morales, do MAS (Movimento ao Socialismo), promoveu o voto nulo nestas eleições de domingo. Esse foi o principal fator que contribuiu para que a porcentagem de votos nulos tenha sido muito alta, de cerca de 42%. Os votos válidos foram aproximadamente 39%, e os votos em branco, 19%. Outro fator importante para ter havido uma taxa relativamente baixa de votos válidos é o fato de que foi um tipo inédito de eleição no mundo, tratando de temas judiciais, que não costumam ser tratados normalmente pelos cidadãos, podendo isso dificultar a participação política.
As eleições tiveram observação eleitoral da OEA (Organização dos Estados Americanos) e da UNASUL (União das Nações Sul-Americanas), que ficaram satisfeitas com a qualidade do processo eleitoral. Por serem eleições judiciais, não foi permitida a realização de campanhas políticas, sendo que as informações disponíveis para os cidadãos foram só aquelas disponibilizadas pelas autoridades eleitorais. É verdade que isso reduz a qualidade do processo democrático, mas o fato de serem as primeiras eleições judiciais do mundo indica que mesmo com essas limitações, a experiência boliviana foi um considerável avanço democrático em termos mundiais.
A Bolívia passou nos últimos anos por uma enorme transformação em sua democracia, que pode ser ilustrada pelo fato de que o número de pessoas registradas para votar subiu 43% nos últimos 6 anos, desde a primeira vitória eleitoral da esquerda no país, em 2005. Em 2009, foi feito um recadastramento eleitoral nacional baseado em impressões digitais que mostrou que havia uma quantidade enorme de bolivianos sem direitos políticos por não poderem votar. Nesse recadastramento, o número de eleitores subiu de 3,6 milhões para 5 milhões, subindo desde então para 5,2 milhões nestas eleições de domingo.
Esse enorme aumento na quantidade de eleitores em 6 anos mostra até que ponto é possível uma distorção da democracia por um registro eleitoral de má qualidade. A votação de domingo ocorreu com tranquilidade, sem maiores incidentes. Os observadores da OEA e da UNASUL recomendaram às autoridades eleitorais bolivianas um maior uso de tecnologia para o envio de informações, mas de modo geral elogiaram o processo. Quanto às consequências políticas das eleições de domingo, pode-se dizer que apesar do baixo número de votos válidos, em vista da campanha pelo voto nulo da oposição, houve uma quantidade suficiente para validar politicamente as eleições. Entretanto, os 42% de votos nulos mostram considerável força da oposição de direita, mesmo que nem todos esses votos nulos sejam de eleitores que preferem a direita, pois pode haver considerável número de votos nulos desvinculados da campanha pelo voto nulo da oposição. Clique aqui para ver o vídeo da notícia.
20/10/2011 - As eleições gerais na Libéria, realizadas no dia 11 de outubro, terão segundo turno na disputa para a presidência. Concorrerão ao mandato de 6 anos a atual presidenta, Ellen Johnson Sirleaf, do Partido da Unidade (PU), e Winston Tubman, do Congresso para a Mudança Democrática (CDC). Sirleaf obteve 43,9% dos votos no primeiro turno e Tubman obteve 32,7%. O terceiro colocado foi Prince Johnson, da União Nacional para o Progresso Democrático (NUDP), que teve 11,6% do total dos votos. O segundo turno será no dia 8 de novembro deste ano.
A presidenta Sirleaf ganhou recentemente o Prêmio Nobel da Paz, pelo seu trabalho à frente do governo e pelo apoio aos direitos das mulheres. Ela é a primeira mulher que foi eleita presidenta na África. O partido de Tubman, o CDC, é o mesmo do ex-jogador de futebol George Weah, que em 1995 foi eleito o melhor jogador do mundo pela FIFA. Nesta eleição, Weah é o candidato a vice-presidente de Tubman. O terceiro colocado, Prince Johnson, já anunciou que apoia Sirleaf no segundo turno, negociando uma futura coalizão com a atual presidenta em caso de vitória desta.
16% do orçamento do governo do país vem de ajuda externa. Assim, os EUA estão exercendo pressão pela eleição de Sirleaf para continuar com o apoio financeiro ao país. De fato, ela tem bastante apoio dos países mais desenvolvidos. Vários candidatos presidenciais que tiveram uma baixa porcentagem dos votos neste segundo turno alegaram fraude e se retiraram da disputa antes do anúncio dos resultados. Esta é a segunda eleição minimamente democrática realizada pelo país.
Antes das eleições de 2005, a Libéria passou por uma violenta guerra civil, em que morreram centenas de milhares de pessoas, o que é muito em um país com somente 4 milhões de pessoas. Muitos dos políticos atuais do país são acusados de terem se envolvido nessa guerra civil, inclusive a presidenta Sirleaf. O fato é que as eleições são essenciais justamente para a pacificação do país, sendo praticamente impossível que não participem delas políticos que se envolveram na guerra civil. Outra questão é que seria desejável que fosse evitada o máximo possível a pressão externa sobre os eleitores do país, mesmo que parte importante do orçamento do país venha de ajuda externa, porque essa pressão diminui a percepção de liberdade de escolha que é a base dos benefícios da democracia. Clique aqui para ver o vídeo da notícia.
19/10/2011 - As eleições parlamentares em Omã, ocorridas no último sábado, dia 15 de outubro, representaram um importante avanço rumo a que um dia o país tenha um sistema democrático. Hoje em dia, o país é governado por uma monarquia, sendo o chefe de Estado o sultão Qaboos bin Said. A eleição de sábado foi para preencher as 84 vagas do parlamento, chamado de Conselho da Shura, através de voto universal para maiores de 21 anos. O avanço nestas eleições se deveu principalmente a que a partir dessa eleição o parlamento não será apenas consultivo, tendo também alguns poderes legislativos. Outra questão importante foi o grande comparecimento dos eleitores, cerca de 76% dos 522 mil eleitores registrados, sendo que na última eleição, em 2007, somente 28% dos eleitores registrados haviam comparecido.
Estes avanços rumo à democracia foram conquistados após os intensos protestos populares contra o autoritarismo do início deste ano nos países árabes. Omã tem cerca de 3 milhões de habitantes, mas cerca de 60% da mão-de-obra no país é estrangeira, o que explica em parte porque há só pouco mais de meio milhão de eleitores registrados. Outro fato que ajuda a explicar esse número de eleitores registrados é que o país tem uma população extremamente jovem, com 40% das pessoas com menos de 21 anos, e portanto sem direito a voto.
No sábado, o resultado das eleições foi divulgado após 12 horas do fechamento das urnas. Entre os 84 eleitos há apenas uma mulher. Também foram eleitos alguns militantes pró-reformas democráticas, o que mostra pelo menos um pouco de abertura do sistema eleitoral. Houve 1.133 candidatos, praticamente o dobro que nas últimas eleições de 2007. Destes 1.133, 77 eram mulheres. Em 2007 houve 23 mulheres candidatas. O país se localiza na península arábica e tem pouco mais de 309 mil km².
Podem ser feitos alguns paralelos entre as transições para a democracia que estão acontecendo nos países árabes e as que ocorreram na Europa ao longo dos últimos séculos. Em alguns países árabes, especialmente nas monarquias, como Marrocos e Omã, por exemplo, vemos uma transição lenta rumo a que o parlamento tenha cada vez mais poder, enquanto que a monarquia tem cada vez menos poder, sem desaparecer, nem a longo prazo. No Reino Unido, na Espanha e em outros países europeus ocorreu um processo semelhante, com a realeza sendo reduzida a uma função praticamente decorativa.
Em outros países árabes, especialmente aqueles sem monarquias, como Egito e Tunísia, vemos que a transição é menos gradual, com a democratização através da disputa de eleições abertas. Ou seja, assim como na Europa, há países árabes que estão construindo uma democracia sem haver uma monarquia, como na Europa a Itália e a França, por exemplo. Assim, vai ficando claro o processo de democratização geral e gradual do mundo árabe, para que um dia a região possa ser quase totalmente democrática como são hoje a Europa, as três Américas e os maiores países da Oceania. Clique aqui para ver o vídeo da notícia.
17/10/2011 - François Hollande é o candidato do Partido Socialista (PS) da França à presidência nas eleições de 22 de abril do ano que vem. Ele venceu as prévias do partido, cujo segundo turno foi disputado ontem, com 56,6% dos votos das quase 3 milhões de pessoas (2,86 milhões) que votaram neste segundo turno. Martine Aubry, atual secretária-geral do PS, teve 43,4%. Aubry já manifestou forte apoio a Hollande - que também já foi secretário-geral do PS - convocando o partido a se unir em torno do seu candidato.
Todos os franceses poderiam votar nas eleições prévias, o que as assemelha às prévias do Partido Democrata dos EUA. Por outro lado, diferentemente dos EUA, na França há segundo turno, o que faz com que não seja necessária uma eleição prévia para toda a esquerda, que acaba acontecendo de fato no primeiro turno das eleições para a presidência. O comparecimento de quase 3 milhões de pessoas neste segundo turno das prévias do PS foi uma grande vitória do partido e da esquerda francesa, que agora passará a outra fase, no sentido de diminuir o atrito entre as diferentes candidaturas de esquerda a fim de chegar a 22 de abril do ano que vem com a prioridade de vencer a direita nas eleições firmada em todas as candidaturas de esquerda.
Na França, a extrema-esquerda tem considerável força, mas se houver um bom relacionamento entre a extrema-esquerda e a esquerda, a diferença entre as duas tende a diminuir, formando na verdade uma grande esquerda. O candidato a presidente da Frente de Esquerda, Jean-Luc Mélenchon, é um representante dessa parte da esquerda francesa que tende à extrema-esquerda. Ele já propôs a Hollande debater as questões de fundo para o país, o que seria muito importante para diminuir essa divisão entre o PS e a Frente de Esquerda, pois com o crescimento da Frente Nacional (FN), de extrema-direita, é vital que a esquerda não se divida tanto a ponto de que um representante da esquerda não chegue ao segundo turno, como aconteceu em 2002.
Além da vitória quanto ao grande número de pessoas que votaram, essas prévias do PS foram qualitativamente um sucesso. Após a reorganização programática do PS que ocorreu depois das eleições de 2007, o partido investiu muito no fortalecimento da estrutura partidária e na realização de um extenso debate entre os candidatos nestas prévias, a ponto de receber grande atenção dos meios de comunicação. O principal adversário de Hollande nas eleições do ano que vem será o atual presidente do país, Nicolas Sarkozy, da UMP (União por um Movimento Popular), que será um fortíssimo candidato mas que vai ter que disputar o espaço da direita com Marine Le Pen, candidata da FN, de extrema-direita.
O movimento ecologista tem também considerável força na França, e cada vez tem mais importância eleitoral. A relação da candidatura de Hollande com o movimento ecologista será essencial para uma vitória da esquerda, pois esse movimento tem uma tendência à extrema-esquerda que muitas vezes o afasta da institucionalidade política. Por isso, é vital para o PS trazer o movimento ecologista para o debate sobre o programa presidencial, mostrando que seus propósitos serão mais facilmente alcançados com um governo de esquerda do que com um de direita. No fundo, o debate com o movimento ecologista é importante pela mesma razão que o debate com as candidaturas que tendem à extrema-esquerda, ou seja, reduzir o máximo possível a divisão que existe entre a esquerda e a extrema-esquerda, formando assim uma esquerda o maior possível. Clique aqui para ver o vídeo da notícia.
14/10/2011 - Faltam poucas semanas para a divulgação do resultado da pesquisa que vai definir o candidato unificado da esquerda a presidente do México nas eleições gerais do ano que vem. Os dois pré-candidatos da esquerda são o ex-candidato presidencial Andrés Manuel López Obrador e o atual prefeito da capital do país, a Cidade do México, Marcelo Ebrard. Os dois são do PRD (Partido da Revolução Democrática), o principal partido de esquerda do país, mas Obrador tem mais apoio que Ebrard entre os outros partidos de esquerda (o PT - Partido do Trabalho - e o Convergência), enquanto que Ebrard tem mais apoio que Obrador entre o eleitorado de centro. Quanto ao PRD, este está bastante dividido entre os dois, não sendo claro qual tem a preferência da maioria da base do partido.
Nesta última semana, Marcelo Ebrard adotou uma tática audaciosa e bastante inteligente para se posicionar favoravelmente para vencer a disputa dentro da esquerda e no panorama nacional. Ele fez isso ao defender publicamente a formação de um governo de coalizão após as eleições de 2012, ou seja, que o partido vencedor da eleição presidencial forme o governo junto com outro partido. Com isso, em relação à esquerda, ele se diferencia de Obrador, que muito dificilmente montaria um governo de coalizão, e em relação à direita, ele se diferencia de Enrique Peña Nieto, do PRI (Partido Revolucionário Institucional), principal candidato da direita, que provavelmente montaria um governo somente do PRI.
De fato, um governo de coalizão seria vital para a sobrevivência política de um eventual governo de esquerda no México. Isso porque no parlamento, os partidos de esquerda, basicamente o PRD, o PT e o Convergência, muito provavelmente não conseguirão maioria, o que, se não for formado um governo de coalizão, porá em risco inclusive a permanência do eventual presidente de esquerda no cargo. Essa estratégia de Ebrard não só é uma estratégia de campanha como também uma necessidade política se ele vencer a eleição em 2012. Outra questão é que essa proposta mostra que Ebrard tem considerável habilidade política e cada vez mais parece ser o pré-candidato da esquerda com mais chances de vencer a disputa pela candidatura dentro da esquerda e nas eleições do ano que vem.
Apesar de necessária, a proposta de um governo de coalizão traz um perigo importante para Ebrard, que é a perda considerável de apoio na extrema-esquerda. É verdade que essa estratégia ajuda agora na disputa com Obrador, mas mais tarde, quando a disputa for com a direita, Ebrard precisará da esquerda unida apoiando-o. Assim, quanto maior for a parte da esquerda que não o apoiar separando-se do resto da esquerda, constituindo a extrema-esquerda, maiores serão suas dificuldades em 2012. Nesse aspecto, se Ebrard for o candidato da esquerda, Obrador cumprirá um papel extraordinariamente importante ao explicar a todos os setores da esquerda a necessidade de união para a disputa com a direita, inclusive através do Morena (Movimento de Regeneração Nacional), fundado por Obrador e cujo papel fiscalizador será vital para a credibilidade nacional e internacional das eleições do ano que vem. Clique aqui para ver o vídeo da notícia.